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sexta-feira, 28 de julho de 2017

A VIDA NOS TEMPOS BÍBLICOS — O PASTOR e A OVELHA

“Qual pastor ele pastoreará a sua própria grei. Com o seu braço reunirá os cordeiros; e os carregará ao colo.” — ISAÍAS 40:11. A BÍBLIA, desde seu primeiro livro até o último, faz dezenas de referências a pastores. (Gênesis 4:2; Apocalipse 12:5) Grandes personagens bíblicos, como Abraão, Moisés e o Rei Davi, foram pastores. Davi expressou de forma muito bela as responsabilidades e preocupações de um bom pastor. E um salmo que provavelmente foi escrito por Asafe fala de Davi como um pastor do povo de Deus nos tempos antigos. — Salmo 78:70-72. Séculos depois, nos dias de Jesus, a profissão de pastor ainda era essencial. Jesus se referiu a si mesmo como “o pastor excelente” e muitas vezes usou as qualidades de um bom pastor para ensinar lições importantes. (João 10:2-4, 11) Até Jeová, o Deus todo-poderoso, é comparado a um “pastor”. — Isaías 40:10, 11; Salmo 23:1-4. De que animais os pastores cuidavam? O que estava envolvido em seu trabalho? E o que podemos aprender desses trabalhadores incansáveis? Ovelhas e cabras É provável que os pastores no Israel antigo cuidassem de vários tipos de ovelhas, entre elas a caracul, uma raça síria com cauda gorda e lã grossa. Os machos dessa raça têm chifres, mas as fêmeas, não. Esses dóceis animais são facilmente conduzidos pelo pastor e são muito vulneráveis a predadores e a outros perigos. Os pastores também cuidavam de cabras. Elas podiam ser pretas ou marrons. Enquanto escalavam encostas rochosas e pastavam, elas muitas vezes feriam suas orelhas compridas em arbustos e espinhos. Um dos constantes desafios do pastor era ensinar as ovelhas e as cabras a lhe obedecer. Mas os bons pastores eram pacientes e cuidavam com carinho dos animais de seu rebanho, até mesmo lhes dando nomes, que os animais reconheciam. — João 10:14, 16. O trabalho de pastor nas várias estações Na primavera, o pastor talvez tirasse seu rebanho do redil perto de sua casa e o levasse para pastagens frescas e suculentas nos arredores do vilarejo. Nessa estação, o rebanho aumentava à medida que nasciam filhotes. Além disso, as ovelhas eram tosquiadas, e esse era um motivo de celebração. Visto que alguns moradores do vilarejo possuíam poucas ovelhas, eles contratavam um pastor que juntava o pequeno rebanho a outro. Pastores contratados tinham a reputação de não cuidar dos animais dos outros tão bem quanto dos seus. — João 10:12, 13. Após a colheita nos campos perto do vilarejo, o pastor levava as ovelhas para comer brotos e os grãos que sobravam entre o restolho. Quando chegava o calor do verão, os pastores transferiam seus rebanhos para pastos mais frescos em lugares mais altos. Por dias a fio, os pastores trabalhavam e dormiam ao ar livre, permitindo que o rebanho pastasse em encostas verdejantes. Durante a noite, os pastores vigiavam o rebanho em campo aberto. Mas às vezes eles abrigavam as ovelhas numa caverna, onde ficavam protegidas contra chacais e hienas. Quando o uivo de uma hiena na escuridão da noite as assustava, a voz calma do pastor as tranquilizava. Ao anoitecer, o pastor contava as ovelhas e verificava como elas estavam. De manhã, ele chamava o rebanho, que o seguia até o pasto. (João 10:3, 4) Ao meio-dia, levava os animais para beber em poças de água fresca. Quando elas secavam, o pastor conduzia os animais a um poço e tirava água para eles. Perto do fim da estação seca, o pastor transferia o rebanho para planícies costeiras e vales. Com a chegada das chuvas do inverno, ele conduzia os animais de volta para seu abrigo. Se não fizesse isso, poderiam morrer por causa das fortes chuvas, do granizo e da neve. Só a partir do início da primavera é que os pastores levavam o rebanho para pastar ao ar livre. Equipado para o trabalho A roupa do pastor era simples, mas resistente. Para se proteger da chuva e do frio da noite, ele talvez usasse um manto de pele de ovelha, com a lã virada para dentro. Por baixo, ele usava uma túnica. Sandálias protegiam seus pés contra pedras afiadas e espinhos, e um tecido de lã envolvia sua cabeça. O equipamento do pastor geralmente incluía o seguinte: um alforje, ou bolsa de couro, com suprimentos como pão, azeitonas, frutas secas e queijo; uma clava, ou pedaço de pau, em geral de 1 metro, com pedras afiadas na ponta mais grossa, excelente para defesa pessoal; uma faca; um cajado, para se apoiar ao andar e ao subir ladeiras; um odre com água; um balde de couro com uma corda para retirar água de poços; uma funda, para afastar animais selvagens ou para lançar pedras perto das ovelhas ou cabras que se desviassem, conduzindo-as de volta para o rebanho e uma flauta, que o pastor tocava para se divertir e para acalmar o rebanho. Todo o trabalho do pastor ao cuidar dos animais era recompensado com produtos importantes como leite e carne. A lã e as peles eram trocadas por outros itens ou usadas para fazer roupas e recipientes. O pelo de cabra servia para fazer tecidos. Tanto as ovelhas como as cabras eram usadas em sacrifícios. Um modelo a seguir Bons pastores eram diligentes, confiáveis e corajosos. Eles até mesmo arriscavam a vida para proteger o rebanho. — 1 Samuel 17:34-36. Portanto, não é de admirar que Jesus e seus discípulos tenham usado a figura do pastor como modelo para os anciãos cristãos seguirem. (João 21:15-17; Atos 20:28) Assim como um bom pastor nos tempos bíblicos, os anciãos congregacionais hoje se esforçam para ‘pastorear o rebanho de Deus, que está aos seus cuidados, não sob compulsão, mas espontaneamente; nem por amor de ganho desonesto, mas com anelo’. — 1 Pedro 5:2. Os abrigos de pastor são feitos de diversos materiais: xisto, granito, madeira etc. e servem para resguardar o pastor das intempéries. Muitos deles têm, também, a função de abrigar os próprios animais. Para corrigir e acudir a ovelha o pastor dispõe de dois instrumentos: A VARA E O CAJADO. A vara é comprida e a ponta dela parece um ponto de interrogação, um gancho. Com a vara o pastor laça a ovelha pelo pescoço porque por ter muita lã esta constantemente se enroscando em espinheiros. O cajado muitas vezes é usado para evitar que a ovelha vá aonde não lhe é permitido. Quando a ovelha vai desgarrando ou quando se mete na briga com outra velha, o pastor joga o cajado para assustar a ovelha, mas por vezes ele tem de acertá-la e com a bordoada a ovelha cai tonta pela pancada que recebeu. A ovelha come o dia inteiro e de noite esta com o estômago muito cheio. O maior órgão que a ovelha possui é o estômago, que toma conta da maior parte da caixa torácica. Durante a noite elas gostam de brincar de dar cabeçadas umas nas outras e normalmente caem no chão com as patas para cima e depois não conseguem se levantar sozinhas pois a lã dificulta que ela se levante. Se a ovelha não for erguida dentro de uma hora, ela morrerá asfixiada, pois o estômago comprimirá e apertará o seu pulmão, por isso o pastor precisa durante a noite andar no meio das ovelhas levantando as ovelhas caídas. No dia que vai morrer, a ovelha não come, fica quieta num canto. Ela não demonstra nenhuma reação. Mesmo que alguém queira interagir com ela, ela não foge, não dá coices. Ela espera pacientemente pela hora do seu sacrifício. Assim foi com o nosso Senhor Jesus Cristo. Mesmo sabendo a hora da morte, triunfantemente enfrento-a a fim de nos garantir a vida eterna. A OVELHA Só dorme no mesmo lugar. Aqui o paralelo é um pouco diferente. A ovelha sabe qual é o seu lugar no aprisco! De maneira nenhuma ela vai querer o lugar de outra ovelha. A OVELHA é o único animal terreno que não possui defesa alguma, ela é totalmente vulnerável, ela fica no fim da cadeia alimentar, não se defende, não tem habilidades de luta. A ovelha produz lã o tempo todo. Desde que nasce, ela produz lã, quanto mais tosquiada mais ela produz. A ovelha é um animal bastante ingênuo. Ela não sabe discernir a erva boa para comer da erva venenosa, por isso o pastor tem que ir na frente preparar a pastagem com cuidado, retirando aquelas que podem envenená-la. A alimentação das ovelhas é fundamentalmente a erva, que encontram nos pastos por onde pastam. Não necessita de muitos suplementos alimentares e tem a característica de não estragar esse mesmo pasto. Quando ela vai se alimentar no aprisco, ela só come na sua manjedoura. Se a manjedoura de outra ovelha estiver cheia, e a sua vazia, ela não irá à manjedoura alheia e comerá a comida de outra ovelha. Esta atitude poderá até levar a ovelha à morte, mas o principio de obediência é respeitado. A ovelha espera até que o pastor coloque o alimento na sua manjedoura.

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