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quinta-feira, 27 de julho de 2017

JEREMIAS: UM CHAMADO AO ARREPENDIMENTO

UM RETRATO PANORÂMICO DO LIVRO PROFÉTICO DE JEREMIAS
Jeremias viveu quando o mapa político do mundo estava sendo redesenhado. A Assíria estava em decadência, A Babilônia em ascendência, e o Egito estava pronto para afirmar sua autoridade. O pequeno reino de Judá, encurralado no meio destas grandes potências, sempre estava sob ameaça.  Outra ameaça era A CRENÇA DO POVO EM SUA PRÓPRIA INVENCIBILIDADE. Um século antes, Jerusalém sobrevivera milagrosamente à destruição. Em consequência disto, o povo passou a ter uma crença dogmática que a cidade jamais cairia, e que a dinastia do rei Davi não teria fim.  Foi nesse contexto turbulento e com recusa obstinada de seu próprio povo de enfrentar as difíceis realidades políticas de um mundo em transformação que foram moldados a vida e o ministério de Jeremias.  Nascido em Anatote, uma aldeia a nordeste de Jerusalém, onde seu pai era um sacerdote hereditário, Jeremias era um dos filhos mais moços de uma família que certamente era feliz.  Durante toda sua vida, o profeta recordou-se das imagens e experiência de sua infância. Ele amava o mundo natural. Observava a migração dos pássaros (CP 8 V 7), conhecia os hábitos da perdiz (CP 17 V 11), mas sob sua visão profética estas coisas se tornaram algo mais: a amendoeira em flor, o lavrador limpando sua terra, eram, para ele, revelações do ministério divino.  Foi nessa situação de vida que Jeremias recebeu o chamado profético.  Desde o início ele foi um profeta relutante, e jamais deixou de debater as aflições do seu cargo com Deus (CP 1 V 6, CP 17 V 16, CP 20 VS 7 AO 9). Estas e outras passagens nos permitem ver o enorme fardo da responsabilidade que ele tinha de carregar. Ele parecia não ser o tipo de pessoa firme e forte que se espera que um profeta normalmente seja. Percebemos o quão difícil deve ter sido para ele ser proibido de se casar e constituir uma família (CP16 VS 1 AO 9). Sensível, com excepcional tendência a demonstrar afeto, ele recebeu a “missão de arrancar e derrubar, destruir e arrasar” (CP1 V 10) entre o povo que amava. Era um caminho sofrido, do qual, apesar dos resmungos, Jeremias jamais se esquivou. Suas profecias são comoventes e, às vezes chocantes. Ele queria dar sua missão por encerrada, mas o poder de Deus não o permitia (CP 20 V 9). O texto, às vezes biográfico, às vezes autobiográfico, permite que vejamos como o sofrimento resultante de seu chamado moldou profundamente o caráter deste homem.  Sua compreensão das coisas resultou de experiências pessoais de uma vida vivida ao arrepio da sociedade, mas em lealdade total à Deus.  É provável que no início de seu ministério Jeremias estivesse associado às reformas de Josias.  Isto envolvia o fechamento dos altos de Judá para centralizar a vida religiosa da nação em Jerusalém, ação que deve ter causado conflito com sua família.  Há uma dor oculta nas profecias do CP 1 que provavelmente originou-se disto. Daquele momento em diante A SOLIDÃO FOI CARACTERÍSTICA MARCANTE DA VIDA DE JEREMIAS.  Jeoaquim, filho de Josias, não deu continuidade à política de seu pai.  Em resposta, Jeremias e outro profeta chamado Urias, se apresentaram para defender a pureza da adoração do templo (CP 7).  Jeoaquim considerou isto rebelião declarada e ordenou que fossem presos. Urias fugiu para o Egito, mas acabaria sendo trazido de volta e morto.  Quanto a Jeremias, parece que foi protegido pela poderosa família de Safã (CP 26), uma família de escribas que continuaria a apoiá-lo nos anos seguintes.  Cada vez mais o pequeno reino de Judá sofria ataques vindos do nordeste. Jeremias estava convencido de que, através de Nabucodonosor, Deus castigaria Judá por sua infidelidade (CP 27 VS 5 AO 11).  Ele sugeriu a rendição imediata (CP 38 V 17). Foi um período terrível: o rei, as autoridades e outros profetas tomaram uma posição contrária.  O povo odiava Jeremias.  Ele foi banido do templo. Mas, incapaz de abandonar sua tarefa, ele ditou as profecias a Baruque, e elas foram levadas ao rei. A descrição vívida no CP 36, do rei cortando e queimando desdenhosamente as profecias à medida que eram lidas, destaca o isolamento de Jeremias. Os membros da corte que preferiam o enfrentamento julgaram que havia chegado a hora.  A pregação de Jeremias era um perigoso derrotismo.  Assim, tomaram medidas para se livrar dele: Jeremias foi preso e lançado num poço.  Seria complicado matar um profeta a sangue frio; assim ele foi abandonado para morrer de fome (CP 38).  Jeremias foi salvo graças à intervenção de um corajoso servo do palácio.  Porém Jeremias não era derrotista.  Embora, durante este longo período, tivesse profetizado contra a falsa segurança doas conselheiros do rei, ele estava convicto de que Deus, futuramente, restauraria Israel.  Tanto assim, que comprou um campo e cuidadosamente guardou a escritura da compra (CP 32). Ele podia ser chamado, ironicamente de “Terror por todos os lados”, por causa de suas repetidas advertências (CP 20 V4, CP 6 V 25, CP 20 V 10, CP 46 V 5). Mas ele ainda apontava para a promessa de Deus para depois da destruição.  “Só eu conheço os planos que tenho para vocês: prosperidade e não desgraça e um futuro cheio de esperança. Sou eu, o Senhor, quem está falando” (CP 29 V 11).  Esta esperança foi expressa de forma enfática aos judeus exilados na Babilônia na visão dos dois cestos de figos (CP 24 VS 5 AO 7).  E no momento mais trágico de sua vida, quando, no ataque final da Babilônia, todos os líderes foram exilados, ele escreveu palavras surpreendentes de esperança: “tornarei a trazer-vos ao lugar donde vos mandei para o exílio” (CP 29 V 14).  O profeta que sabia o que era ser ignorado e maltratado jamais perdeu a certeza pessoal de que Deus sempre estava com ele.  Agora, no momento mais sombrio da história de seu povo, ele podia falar com convicção do Deus que jamais os esqueceria.  São estas profecias que nos dão a compreensão final e duradoura de Jeremias.  Tendo pregado por tanto tempo (SEU MINISTÉRIO DUROU CERCA DE 40 ANOS) a um povo obstinado, Jeremias teve a certeza de que haveria um novo começo.  A antiga aliança condicionada à obediência do povo à lei, falhara.  Jeremias previu que ela seria substituída por uma nova aliança, na qual Deus tomaria a iniciativa, tocando cada coração humano diretamente, revelando-se como Deus de compaixão e amor infinitos, sendo isso uma VISÃO DA ERA DO ESPÍRITO, a qual vivemos atualmente.


FONTE: Manual Bíblico SBB; tradução de Lailah de Noronha. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2008 - Págs  441/442 

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