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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

O MURO DAS LAMENTAÇÕES

Por Que Muro das Lamentações ??? O Muro localizado na área ocidental de Jerusalém vem lembrando há milênios a vitória de Roma sobre os judeus. Hoje ele é cultuado como o recanto mais sagrado do Judaísmo, pois é o último vestígio do segundo templo judaico, edificado após a destruição do anterior, construído por Salomão. No ano 20 a.C. ele foi reformado por Herodes, o Grande, na tentativa de conquistar a simpatia de César. Em 70 d.C. o Muro das Lamentações foi demolido por Tito, em uma demonstração de força do Império Romano diante da Grande Revolta Judaica. Na época, Herodes ordenou a edificação de ostensivos muros destinados a encerrar o Monte Moriá - lugar reverenciado porque ali Abraão teria oferecido em sacrifício a Deus seu filho Isaac, por esta razão escolhido para sediar o Templo - dentro desta muralha. Desta forma ele estendeu este espaço, compondo o que atualmente é conhecido como a Esplanada das Mesquitas, que hoje abriga também dois espaços sagrados do Islamismo, a Mesquita de Al-Aqsa e a Cúpula da Rocha. O Primeiro Templo, criado no século X a.C, foi eliminado em 586 a.C pelos habitantes da Babilônia; já o Segundo foi edificado por Esdras e Neemias, durante o evento que se tornou conhecido como o Exílio da Babilônia – os judeus podem finalmente voltar para sua terra natal, Judá, especialmente para Jerusalém, graças a um Decreto de Ciro, o que possibilita reedificar este santuário -, depois demolido por Tito, que permite a preservação de um pedaço do muro externo para que os judeus conservem a memória de sua derrota diante de Roma. Segundo os hebreus, porém, este muro só permaneceu em pé graças a uma promessa de Deus, que lhes garantiu a preservação de pelo menos uma parcela do Templo, como emblema da união deste povo com Deus. Enquanto os romanos dominaram Jerusalém, era proibido o ingresso dos hebreus nesta cidade, enquanto na era bizantina eles podiam visitar as ruínas do Templo uma vez ao ano, no dia que lembrava a destruição deste tabernáculo, quando então eles pranteavam e lamentavam a destruição do Templo, o que levou este recanto a ser conhecido como o Muro das Lamentações. O hábito de orar ao pé do Muro e de depositar papéis com súplicas e desejos dos fiéis nos vãos desta parede tem sido cultivado ao longo de vários séculos. Entre os anos de 1948 e 1967 o Muro ficou novamente inacessível para os hebreus, pois neste período Jerusalém estava cindida, cabendo à Jordânia justamente a parte que continha o Templo. Posteriormente, após a Guerra dos Seis Dias, a entrada foi novamente liberada e o Muro se transformou em um símbolo de vitória e em local sagrado, deixando de exercer a função de reservatório destinado à transformação do lixo em resíduos inofensivos. A parte interna da Esplanada das Mesquitas seria o local mais venerado do Planeta para os judeus, mas como eles não têm acesso a este espaço, o Muro se torna a esfera mais consagrada da Terra. NA VERDADE O nome usado pelos judeus é “Muro Ocidental” (Western Wall, em inglês, e Ha-kotel Ha-ma’aravi, em hebraico), obviamente por causa de sua localização. O termo, inclusive, é bem mais antigo que seu apelido atual: há registros dele em textos escritos logo após a destruição do local pelos romanos, no século 1. Não há menção, em outras fontes antigas, do costume de orações e lamentações no local, como hoje é comum. O muro em questão é um trecho de pouco mais de 50 metros que restou da muralha de arrimo que cercava o Monte do Templo, feita na época da grande reforma que Herodes realizou no local do antigo Templo de Salomão. Aquela parte é a única à qual os judeus têm acesso, pois a maior porção da muralha que sobrou da destruição do Templo pelos romanos no ano 70 está sob poderio dos muçulmanos, que barram o acesso. Virou, para os judeus, local de oração e súplicas. Há registros das lamentações no muro a partir do século 16. Mas o termo “Muro das Lamentações” veio bem mais tarde. No século 19, quando europeus visitavam o local, voltavam ao seu continente falando daquele “Lugar de Lamentações”, termo usado, inclusive, no livro “Those Holy Fields”, publicado por Samuel Manning em 1873: “(…) o ‘Lugar de Lamentações’ dos judeus… Onde eles se reúnem às sextas-feiras para lamentar sobre seu Estado caído…” Manning podia estar se referindo a uma tradução adaptada de um termo usado pelos árabes para designar o mesmo local, El-Makba, o “Lugar do Choro”. Quando a Grã-Bretanha tomou Jerusalém dos otomanos, em 1917, e veio o Mandato Britânico sobre a região, o nome “pegou”. “Muro das Lamentações” ficou sendo usado por um tempo até mesmo por uma boa parte dos próprios judeus. Só depois da Guerra dos Seis Dias, quando Israel já tinha um Estado próprio e retomou a área, os judeus começaram a usar novamente o nome antigo de “Muro Ocidental”, e muitos não judeus também começaram a utilizá-lo. “Muro Ocidental”, então, é o que prevalece para os israelenses e judeus espalhados pelo mundo – ou mesmo somente “O Muro”, rejeitando a “herança” britânica dos tempos de um domínio que não mais existe.

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